Sublimidade do sacerdócio – parte 1

15/07/2017

Todos os povos, desde as mais remotas épocas demonstraram seu sentimento religioso inato ao ser racional e prestaram homenagem à divindade. Do meio da comunidade sempre se escolheram alguns para exercer funções de intermediários ante os poderes celestes. Entre os povos civilizados, vizinhos de Israel, o encargo sacerdotal era, as mais das vezes, exercido pelo próprio rei. Em torno dele se formava uma casta especial com atribuições diversas ligadas ao culto. Entre os hebreus a augusta missão sacerdotal foi exercida inicialmente pelos Patriarcas que construíam altares para oferecer sacrifícios ao Ser Supremo. É quando aparece Melquisedec, Rei de Salém (Gn 14,18-20), sacerdote do Deus Altíssimo. Melquisedec se encontrou com Abraão e o abençoou.

Depois, a partir de Moisés, serão os levitas aqueles que estarão a serviço dos diversos santuários. Notáveis no tempo de Moisés as figuras de Aarão e de seus filhos que são designados (Ex 28,1 ss) e consagrados (Lv 8,1.10,20), ficando Aarão como sumo sacerdote, o sacerdote típico.

Na época dos reis, estes exerceram diversos misteres sacerdotais como Saul (1 S 13,9) e Davi (2 S 6,13; 24,22-25). Este, como outros, abençoava o povo “em nome de Iahweh dos exércitos” (2 S 6,18).

A construção do Templo de Jerusalém daria ao sacerdócio do Antigo Testamento uma organização peculiar. A supressão dos santuários no ano de 621 com a reforma de Josias causou a supremacia do sacerdócio hierosolimitano. Agora só os descendentes de Sadoc exerceriam os ofícios sacerdotais, ficando os levitas como um clero inferior.

Todas estas etapas mostram a importância do múnus sacerdotal entre o povo eleito, adorador do verdadeiro Deus. O culto e a mediação da palavra divina eram os atributos principais, os ministérios fundamentais.

Tudo isto preparação secular para a chegada do único e verdadeiro sacerdote Jesus Cristo.

A Carta aos Hebreus é o grande hino ao sacerdócio do Redentor da humanidade. É uma missão inerente ao seu próprio ser, que o torna o mediador entre Deus e os homens. Oferece um sacrifício uma vez por todas (Hb 7,27; 9,12.25-28). Deus e homem verdadeiro Ele pôde realizar este sacrifício que reparou cabalmente a justiça divina e regenerou o gênero humano.

Nele o sacerdócio chegou à sua máxima dignidade e o episódio da Última Ceia, quando Ele instituiu o Sacramento da Ordem, faria toda a grandeza do sacerdote da Nova Aliança.

Continuador das funções sacerdotais do Filho de Deus que dele se serve como instrumento, o padre é, verdadeiramente, sua personificação viva.

É através dele que o Verbo de Deus Encarnado prossegue a transmitir a Boa Nova e a abrir os mananciais da graça como ministro de Sacramentos que regeneram e salvam.

Poderíamos então indagar ante tanta magnitude: O sacerdos, quis es tu? - Ó sacerdote, quem és tu? A resposta patenteia o magno mistério deste homem de Deus: Non es a te, quia de nihilo - não tens em ti a razão de ser, pois vieste do nada; non est ad te, quia mediator ad Deum - não estás voltado para ti, porque és mediador voltado para Deus; non es tibi, quia sponsus Ecclesiae - não existis para ti, porque és esposo da Igreja; non es tui, quia servus omnium - não pertences a ti, por que servo de todos; non es tu, quia Christus es - não és tu, porque és Cristo. Quid ergo es? Nihil et omnia, o sacerdos  - portanto o que tu és ? Tu és nada e tudo, ó sacerdote!

 

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor do Seminário de Mariana por 40 anos

 

Oração Gratulatória proferida em 19 de outubro de 2014 na primeira Missa presidida pelo Padre Alex Martins em Viçosa/MG.

Texto adaptado.

 


VOLTAR